Quintas no Douro: Quinta do Vallado


A Herança da Ferreirinha. O Wine House Hotel Quinta do Vallado concluiu o processo de renovação de uma propriedade com muita história a defender. Depois da abertura da nova adega de características vanguardistas, o novo edifício seguiu a mesma linha arquitetónica, onde a harmonia com os traços tradicionais e com a paisagem envolvente são simplesmente perfeitas.

Vinho em Portugal: Quinta do Vallado, Douro

Sobre as coisas antigas é comum dizer-se ser difícil falar. Por reverência ou receio de incomodar os artífices de tempos pretéritos, opta-se por vislumbrar o que ficou lá para trás como marco cronológico resultante de um conjunto de ações e circunstâncias com cariz mais ou menos mítico ou até relativamente esotérico. Dona Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896), notabilizada como “a Ferreirinha” e figura tutelar da história do Douro, faz parte dessa galeria informal de vultos em relação aos quais, por vezes, as palavras resultam pobres para descrever a magnitude da obra. É-lhe atribuída uma dimensão quase heróica, e isso intimida. Sobre a Quinta do Vallado, situada na foz do rio Corgo, que lhe pertenceu e é hoje detida pela sexta geração da sua descendência, parece relativamente fácil elaborar um discurso. A propriedade é um dos ícones da região vinhateira. Estatuto que conquistou tanto ao longo dos dois séculos em que se dedicou a produzir vinhos do Porto para a Casa Ferreira, que pertencia à família, como pela década e meia que leva desde que lançou o primeiro vinho de mesa com nome próprio. A esse crédito junta-se agora uma pousada de charme com requinte de alto nível.

A inauguração da unidade hoteleira constituiu o fim de um ciclo de renovação profunda na história da quinta, mas também o início de uma nova era, onde a atividade enoturística acompanha o padrão elevado dos vinhos lá confeccionados. “Sempre tivemos a convicção muito forte de que, estando na primeira divisão dos vinhos, também teríamos que jogar o mesmo campeonato no enoturismo. Isso implicaria qualidade a todos os níveis”, diz João Ferreira Alves Ribeiro, que, juntamente com Francisco Ferreira, ambos descendentes da Ferreirinha, e Francisco Olazabal, conseguiram transformar esta propriedade tradicional. Com atividade registrada, pelo menos, desde 1717 e história feita de fornecimento de vinhos do Porto a uma das mais respeitadas casas da região, singrou como marca autónoma e respeitada. A abertura do hotel, que acrescenta oito quartos de luxo aos cincos já disponíveis na casa tradicional, ocorreu quase em simultâneo com a atribuição pela revista Wine Spectator da “nota histórica”, segundo os responsáveis da quinta, de 91 pontos ao vinho branco Douro White Reserva 2010.

Vinho em Portugal: Quinta do Vallado, Douro

SUBIR UM PATAMAR

Foi a confirmação do crescente prestígio do Vallado e resultado da utilização da nova adega, inaugurada no ano anterior. A vindima de 2009 havia já ali sido realizada, apesar de o bonito e angular edifício em xisto da autoria do arquiteto Francisco Vieira de Campos ainda estar, na altura, em processo de acabamentos, contudo nada que prejudicasse o trabalho na adega. Era a subida de patamar de uma quinta que havia construído um sólido percurso, desde 1987, momento da venda da Cassa Ferreira. Fora então definido como propósito inicial passar a produzir e engarrafar vinhos de mesa de marca própria. Objetivo alcançado uma década depois. Os resultados surgiram tanto pelo refinamento do trabalho de enologia, como pelo profundo cuidado no campo vitivinícola. Novas áreas foram plantadas e reabilitadas as existentes. A propriedade tem hoje 46 hectares de vinhas novas com idades entre os cinco e os dezoito anos, e 19 hectares de vinhas velhas, na sua maioria com mais de oito décadas de existência. A compra da Quinta do Orgal, no Douro Superior, acrescentou mais uma vintena de hectares recém plantados à área de vinhas utilizadas, que conta igualmente com 25 hectares arrendados a terceiros.

Na natural evolução comercial desta casa, situada nas imediações do Peso da Régua e que integra o coletivo de produtores Douro Boys, o enoturismo foi o passo seguinte. E ele era dado, em 2005, com a reabilitação e transformação da residência outrora ocupada pela lendária Dona Antónia Ferreira numa Guest House. Cinco quartos inseridos, como seria de esperar, num ambiente de requinte tradicionalista. Mas que, ainda asssim, foram sabiamente resgatados pela decoração aquele lado mais “pesadão”, tantas vezes ostentado por estas quintas com lastro histórico. A piscina panorâmica sobre o Vale do Corgo, situada junto as vinhas, também ajudou a fazer a diferença. A excelência do serviço, fosse ela patente nos cuidados tidos com a gastronomia ou na variedade das atividades propostas, permitiu consolidar o nome. Tanto que a Guest House da casa tradicional foi incluída na lista dos 100 melhores Hotéis, Resorts e SPA´s da revista Travel and Leisure, em 2009. Ano em que abriu a nova adega, desenhada pela mesma mão que traçou o projeto do hotel. A linha arquitetónica e o material que a reveste, o xisto, são os mesmos.

TRANSFORMAÇÃO EM HOTEL

Um gesto unificador, que dá coesão a todo o projeto. O mesmo desígnio levou à compreensível transformação da Guest House em Wine House Hotel, integrando sob o mesmo chapéu a casa tradicional e o hotel. Este é agora a “estrela da companhia”, sendo notável a forma como, tal como a adega, se integra na perfeição com a paisagem vinhateira. Para isso muito contribuem tanto o revestimento com recurso a um material comum na região duriense como a linearidade do edifício. Outros materiais em destaque são as madeiras de pinho e carvalho, que asseguram o conforto interior e dão um toque especial à comunicação com o exterior através de grandes janelas panorâmicas, ao nível do piso principal. É aí que se localizam a sala de refeições e a biblioteca, que também funciona como uma agradável sala de estar com lareira para os dias mais frios. Nos dias de hoje, há IPAD´s com wifi para os clientes se conectarem. No piso superior, situa-se a zona dos quartos. Oito quartos com decoração ao estilo “nórdico vintage”, e distribuídos ao longo de um corredor que está dividido em três alas, garantindo um nível elevado de conforto. O aconchego em todo o hotel, é reforçado pela decoração, a qual não é demasiado pesada nem minimalista. Acompanham-a, em todas as divisões, as fotografias da região retiradas dos álbuns do pai João Ferreira.

Todos os quartos têm vista sobre o vale do Rio Corgo, as suas vinhas e oliveiras e, num primeiro plano, sobre o relvado em frente ao hotel. As mesas, cadeiras e poltronas nele espalhadas fazem do lugar uma das mais agradáveis esplanadas em que já tivemos o prazer de estar. Lugar ideal para degustar os vinhos da casa, com calma, ao final da tarde, ou, melhor ainda, jantar à lua de vela. A comida feita pela Dona Remédios ganha pela certeza do paladar: cabrito assado no forno de lenha, cozido à portuguesa, bacalhau, pataniscas, arroz de pato e caldo verde. A maioria dos produtos escolhidos na sua confecção, como os legumes, o azeite e a fruta, são sobretudo de origem local, produzidos na própria quinta. A sala de refeições pode ser palco para sessões de provas de vinho e degustação gastronómica, sejam almoços ou jantares. Basta que se faça marcação para o mínimo de seis pessoas, com 24 horas de antecedência. Outra opção, a considerar por quem gostou tanto do que comeu, é pedir às cozinheiras da casa que lhe ensinem um pouco do que sabem. As aulas custam €20 por pessoa. A simpatia e as histórias, não tem preço!

Vinho em Portugal: Quinta do Vallado, Douro

À VOLTA DO VINHO

Outros dos exercícios que costumam ser muito populares entre os visitantes é o de “blending”, através do qual se tenta sensibilizar as pessoas para as diferenças entre castas utilizadas nos vinhos. “As pessoas que vêm ao Douro fazem-no, regra geral, por causa do vinho”, recorda João Ferreira, que se preocupa genuinamente por quem chegue à Quinta do Vallado goste de ali estar e, no fundo, fique com uma “boa impressão da marca”. E isso é válido tanto para os hóspedes, como para os que realizam apenas as visitas às caves, com capacidade para um milhar de barrica, e às adegas, a velha e a nova, que acontecem duas vezes ao dia. O périplo, que custa €7,5 por pessoa, culmina com a prova de três vinhos do Vallado, regra geral, um tinto, um branco e um Porto Tawny 10 anos, mas, obviamente, existem outras modalidades de prova. O lugar onde ela se realiza, junto à loja, é um elogio à simplicidade arquitetónica e serve para partir da quinta com as melhores impressões. Ás vezes, pensando bem, é fácil falar de coisas novas, como o hotel e a adega que fazem perdurar a memória da Ferreirinha.

Vinhos em Portugal: Quinta do Vallado, Douro.

Veja mais informações da Quinta do Vallado no site Soulportugal.

Com este breve texto esperamos ter contribuído com o planejamento de sua viagem a Portugal!

Para maiores informações e esclarecimentos, entre em contacto conosco através do email info@soulportugal.com, que teremos todo o prazer em ajudá-lo!

Boa viagem!

 

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